"Gerir democraticamente é criar... Raimirys Costa Rocha
"Gerir democraticamente é criar uma escola plural, onde pertencer não exige se encaixar"
Raimirys Costa Rocha
A educação caminha a passos largos em direção à inclusão, mas ainda confundimos muito dois conceitos cotidianos: o acolhimento e a padronização. É muito comum que a escola abra as portas para a diversidade, mas, sutilmente, exija que os sujeitos se moldem para serem aceitos.
Foi refletindo sobre o chão da escola, a gestão escolar e o direito à singularidade que sintetizei o pensamento que guia minha prática educacional: "Gerir democraticamente é criar uma escola plural, onde pertencer não exige se encaixar."
A ilusão do "encaixe"
Quando exigimos que um estudante, um professor ou uma família "se encaixe", estamos operando sob uma lógica de formatação. O encaixe anula as arestas, silencia as diferenças e gera um falso senso de ordem. Uma escola que apenas "encaixa" as pessoas pode até parecer organizada, mas ela não é democrática. Ela é homogênea.
Para se encaixar, o sujeito precisa deixar partes de si do lado de fora do portão.
O poder do pertencimento real
O pertencimento caminha na via oposta. Pertencer significa que você é aceito, ouvido e valorizado justamente por quem você é — com a sua história, seu ritmo, sua cultura e suas subjetividades.
Construir esse ambiente é o verdadeiro papel da gestão democrática. Gerir democraticamente não é apenas abrir reuniões para votação ou cumprir ritos burocráticos de participação. É um exercício diário de escuta e partilha de poder para garantir que a pluralidade dialogue, em vez de se calar.
Uma escola plural de verdade não cria moldes; ela expande seus horizontes para que caibam todos os mundos que a habitam. Que possamos, como educadores e gestores, assumir o compromisso de liderar espaços onde a única regra para pertencer seja a liberdade de ser quem se é.
