Gente que posta Indireta é gente... Alessandro Teodoro

Gente que posta Indireta é gente Bitolada… Para que atirar para todos os lados, se sabe quem é o Alvo?
Existe algo bastante curioso na necessidade humana de dizer sem dizer, de provocar sem assumir e de ferir sem ter a coragem de olhar nos olhos.
A Indireta é, muitas vezes, o esconderijo de quem deseja causar impacto, mas teme o confronto; de quem quer ser compreendido por alguém específico, mas prefere transformar o próprio ressentimento em espetáculo público.
É como disparar rajadas de palavras ao vento, esperando que apenas uma pessoa se sinta atingida, enquanto dezenas de outras tentam decifrar o enigma.
E, nesse jogo de insinuações, quem publica acredita estar no controle da situação, quando, na verdade, pode estar apenas revelando o quanto ainda é refém daquilo que não consegue resolver.
A Maturidade não está em transformar sentimentos em frases de efeito, nem em colecionar curtidas à custa de conflitos mal resolvidos.
Está na capacidade de distinguir o que merece ser dito, o que precisa ser conversado e o que simplesmente deve ser deixado para trás.
Porque nem toda mágoa precisa virar postagem, nem toda decepção precisa de plateia e nem toda provocação merece uma resposta.
Quem tem algo a resolver com alguém deveria compreender que a clareza exige coragem.
Ser direto, expor o fato e sustentar as próprias palavras diante de quem realmente importa são atitudes muito mais dignas do que lançar frases ambíguas e depois observar, quase ansiosamente, quem vai reagir.
A Indireta pode até parecer uma demonstração de superioridade, mas, não raramente, é apenas o orgulho tentando falar onde a Inteligência Emocional ainda não conseguiu construir um diálogo.
E há uma ironia nisso tudo: quem vive mandando recados para os outros acaba, muitas vezes, revelando muito mais sobre si do que sobre aqueles que pretende atingir.
Expõe suas inquietações, denuncia suas feridas e demonstra que certas pessoas continuam ocupando um espaço considerável em sua mente, ainda que, publicamente, finja desprezo.
No fundo, a questão não é proibir desabafos ou exigir silêncio de quem sofre.
É compreender a diferença entre expressar uma verdade e manipular interpretações; entre desabafar e provocar; entre buscar uma solução e alimentar um conflito.
Porque quem realmente sabe o que quer dizer não precisa transformar a própria mensagem em um jogo de adivinhações.
Se o Alvo tem nome e sobrenome, a conversa também pode ter.
Se existe um problema, que se discuta o problema.
Se houve uma decepção, que se tenha a honestidade de enfrentá-la.
E, se não houver coragem ou disposição para conversar, talvez a atitude mais sensata seja simplesmente seguir em frente.
Afinal, a vida já é suficientemente complicada para que ainda precisemos decifrar o ressentimento alheio em frases publicadas nas redes sociais.
Indireta não resolve conflito; apenas prolonga o Ruído.
E quem precisa atingir alguém a qualquer custo deveria se perguntar se deseja realmente resolver alguma coisa ou apenas provar que ainda está ferido.
Porque Maturidade não é tentar acertar o Alvo sem dá nome aos bois.
É ter coragem de conversar quando vale a pena, sabedoria para silenciar quando necessário e Dignidade para não transformar cada desavença em um Espetáculo Gratuito.
No fim, quem tem paz não precisa fazer de cada mágoa um anúncio.
E quem tem consciência tranquila não precisa passar a vida inteira tentando atingir alguém para se sentir ouvido.
