Quando o amor se instala no peito, ele... Kenue Rangel
Quando o amor se instala no peito, ele traz consigo a capacidade de nos fazer sentir vivos, mas também a vulnerabilidade de sermos feridos por aquilo que mais desejamos preservar.
Às vezes, amar é carregar um sentimento tão profundo que as palavras já não conseguem explicar. É sorrir ao lembrar de alguém e, no instante seguinte, sentir o coração apertar pela distância, pela incerteza ou pelo medo de perder aquilo que tanto significa.
Existem dias em que a saudade pesa mais que o silêncio, em que a ausência se torna presença constante nos pensamentos e em que o coração insiste em procurar respostas que talvez nunca cheguem.
É difícil lutar contra aquilo que sentimos, principalmente quando a razão nos aconselha a seguir em frente, mas o coração ainda encontra motivos para permanecer.
Às vezes, a vontade de desistir do amor parece ser o caminho mais fácil. Não por falta de sentimento, mas pelo cansaço de esperar, de compreender, de tentar e de sentir tanto sem saber se existe a mesma intensidade do outro lado.
Mas então me lembro de que amar nunca foi apenas sobre encontrar felicidade em alguém. Também é sobre aprender a lidar com nossas expectativas, reconhecer nossos limites e compreender que nem tudo aquilo que desejamos está destinado a permanecer.
Com o tempo, percebo que algumas pessoas chegam para ficar, outras para ensinar, e algumas deixam marcas que nem mesmo a distância consegue apagar.
E talvez a maior lição do amor seja esta: nem sempre quem ama consegue permanecer, nem sempre quem permanece sabe amar, e nem todo sentimento verdadeiro encontra reciprocidade.
Ainda assim, não me arrependo de ter sentido. Porque cada sorriso, cada lágrima, cada esperança e cada decepção me ensinaram algo sobre o amor e, principalmente, sobre mim.
Hoje compreendo que amar alguém não significa esquecer de mim mesmo. Que insistir nem sempre é demonstrar amor e que, às vezes, deixar partir também é uma maneira de respeitar aquilo que um dia foi verdadeiro.
Porque o amor não deveria nos ensinar apenas a lutar por alguém, mas também a reconhecer quando precisamos cuidar de nós mesmos.
E, apesar de todas as cicatrizes, ainda acredito no amor. Não porque desconheço a dor que ele pode causar, mas porque aprendi que um coração ferido não precisa se tornar incapaz de amar.
No fim, talvez amadurecer seja exatamente isso: aprender a amar profundamente, sem permitir que a intensidade dos nossos sentimentos nos faça esquecer do nosso próprio valor.
