Que o Sol não se ponha sobre o nosso... Alessandro Teodoro

Que o Sol não se ponha sobre o nosso descuido com a Liberdade de Pensar por conta própria!
A cada vez que o sol se põe sobre o nosso descuido com a Liberdade de Pensar por conta própria, os Sequestradores Mentais se sentem livres para nos usar no dia seguinte.
Há algo profundamente preocupante em uma sociedade que, pouco a pouco, vai abrindo mão do próprio pensamento e passa a aceitar, sem questionamentos, as ideias que lhe são entregues.
Quando deixamos de refletir, de investigar, de confrontar informações e de buscar a verdade para além das aparências, permitimos que outras pessoas pensem por nós, decidam por nós e, silenciosamente, conduzam os nossos passos.
O maior perigo não está apenas em alguém tentar controlar a nossa maneira de pensar, mas em chegarmos ao ponto de não perceber que estamos entregando essa liberdade voluntariamente.
Afinal, nem toda prisão possui grades, nem todo aprisionamento exige correntes.
Existem prisões construídas com preconceitos, alimentadas pela desinformação, sustentadas pelo medo e disfarçadas de verdades absolutas.
Os Sequestradores Mentais não precisam, necessariamente, silenciar nossas vozes; basta que nos convençam a repetir as deles.
Não precisam impedir nossas perguntas; basta que nos façam acreditar que questionar é uma ameaça, que discordar é uma ofensa e que pensar diferente é um defeito.
Assim, a consciência vai sendo substituída pela conveniência, o discernimento pela obediência e a reflexão pela repetição automática de discursos que, muitas vezes, nem sequer compreendemos.
Pensar por conta própria, entretanto, não significa rejeitar todas as ideias alheias, desconfiar de tudo — isso é ceticismo apaixonado — ou acreditar que somos donos absolutos da verdade.
Significa ter coragem de examinar o que ouvimos, reconhecer os limites do que sabemos, acolher evidências, rever convicções e admitir que podemos estar errados.
A verdadeira Liberdade Intelectual não consiste em nunca mudar de opinião, mas em não permitir que nos roubem o direito de formar, revisar e sustentar nossas próprias opiniões com consciência e responsabilidade.
É por isso que precisamos permanecer vigilantes.
Uma mente que não se exercita na reflexão, torna-se vulnerável à manipulação.
E uma sociedade que abandona o pensamento crítico corre o risco de confundir popularidade com verdade, autoridade com sabedoria, repetição com evidência e submissão com paz.
E, quando isso acontece, a manipulação já não precisa bater à porta: encontra as portas escancaradas e é recebida como se fosse uma velha conhecida.
Não podemos permitir que a pressa de opinar nos faça esquecer a importância de compreender.
Não podemos trocar a profundidade de uma reflexão pela superficialidade de uma manchete, nem entregar nossa consciência ao primeiro discurso que confirme aquilo que já acreditamos.
A Liberdade de Pensar exige tempo, estudo, escuta, coragem e, sobretudo, disposição para sair da zona de conforto das próprias certezas.
Que saibamos desconfiar, inclusive, das ideias que nos agradam.
Que tenhamos maturidade para ouvir quem pensa diferente sem transformar a divergência em inimizade.
Que não sejamos tão orgulhosos a ponto de confundir convicção com infalibilidade, nem tão acomodados a ponto de aceitar como verdade tudo aquilo que nos poupa o esforço de pensar.
Porque a liberdade não se perde apenas quando alguém a toma de nós.
Às vezes, ela começa a desaparecer quando deixamos de valorizá-la, quando preferimos a comodidade de uma resposta pronta à responsabilidade de uma pergunta difícil, quando permitimos que outros determinem não apenas o que devemos pensar, mas também aquilo que devemos sentir, temer, odiar ou defender.
Que o Sol Não se Ponha Sobre o Nosso Descuido Com a Liberdade de Pensar por conta própria!
Que cada amanhecer nos encontre mais conscientes, mais questionadores e menos suscetíveis à manipulação.
Que a nossa mente permaneça um território de liberdade, onde ideias possam ser examinadas sem censura, convicções possam ser debatidas sem violência e a verdade seja buscada sem submissão a interesses particulares.
Afinal, quem renuncia ao próprio pensamento corre o risco de viver defendendo ideias que não escolheu, combatendo inimigos que não conhece e servindo a interesses que jamais compreendeu.
Não deixemos que o sol se ponha sobre a nossa consciência.
Porque, quando deixamos de pensar por conta própria, alguém sempre estará disposto a pensar por nós — e nem sempre em nosso favor.
