A MAIOR VITÓRIA DA DEMOCRACIA É... RivaAlmeida
A MAIOR VITÓRIA DA DEMOCRACIA É PERMITIR QUE ATÉ QUEM PERDE CONTINUE LIVRE.
Aprendi que democracia não é a certeza de que meu candidato vencerá. É a certeza de que, mesmo derrotado, continuarei tendo o direito de tentar novamente.
Posso discordar do resultado. Posso lamentar as escolhas do meu país. Posso assistir a milhões de pessoas celebrarem aquilo que considero um erro. A liberdade também significa conviver com decisões que não são as nossas.
O que não posso aceitar é que uma derrota eleitoral se transforme na perda da liberdade de disputar a próxima eleição.
Porque governos passam. Presidentes passam. Ideologias passam. Mas os direitos que sustentam uma sociedade livre não podem depender da vontade de quem ocupa temporariamente o poder.
O governante recebe as chaves do país por um período determinado. Não se torna dono da casa. E, quando o mandato termina, precisa ter a grandeza de devolver as chaves.
Nem a popularidade, nem os aplausos, nem a convicção de estar do lado certo justificam o poder sem limites.
A maioria escolhe quem governa, mas não determina quem merece dignidade. Não pode transformar diferenças em crimes morais, impor uma fé a todos ou decidir quais pessoas merecem ser respeitadas.
É por isso que precisamos de instituições independentes, de uma imprensa livre, de uma oposição atuante e de uma Justiça capaz de dizer não. Mesmo quando incomodam. Principalmente quando incomodam.
Quanto ao candidato em quem voto, não lhe entrego minha consciência. Se vencer, continuarei cobrando. Se errar, continuarei criticando. Se decepcionar, não inventarei desculpas para proteger minha escolha.
Meu voto não compra um ídolo. Escolhe um representante.
Não devo minha lealdade ao homem que elegi. Devo minha vigilância à liberdade que me permite elegê-lo — e, se necessário, mandá-lo embora.
Porque a democracia não é a garantia de que venceremos sempre.
É a garantia de que ninguém poderá nos impedir de tentar novamente.
