Quando gostamos de uma pessoa, a... Fantasma de Max Wolf

Quando gostamos de uma pessoa,
a princípio não gostamos de sua totalidade,
visto que sequer conhecemos sua totalidade.

Gostamos de recortes que dialogam
com ideias internas nossas,
com nossos preconceitos,
com aquilo que esperamos encontrar.

Com o tempo, vamos descobrindo outras partes,
algumas que não necessariamente nos agradam.
E aprendemos a tolerá-las.
Em alguma medida, conseguimos absorvê-las.

Então, a imagem vai se transformando em história.
E entendemos que uma totalidade,
sempre um pouco obscura para nós,
projeta em nós, sob fortíssima influência nossa,
aquilo que dialoga conosco.

Talvez gostar de alguém seja também isso:
reconhecer, aos poucos,
onde termina aquilo que imaginamos
e começa aquilo que o outro é,
compreendendo o afeto como uma construção própria
que tem, como parte de si,
algo que é independente de nós.