Às vezes, até a Liberdade precisa... Alessandro Teodoro

Às vezes, até a Liberdade precisa se locomover sobre o paraíso de duas rodas só para tomar vento na cara.
Porque há dias em que permanecer parado parece uma forma silenciosa de desistência.
E há momentos em que a alma pede estrada, não necessariamente para chegar a algum lugar, mas para se lembrar de que ainda pode partir.
Talvez seja isso que uma motocicleta represente para tanta gente: não apenas uma máquina, mas uma espécie de intervalo entre aquilo que somos e aquilo que o mundo insiste que sejamos.
Sobre duas rodas, o horizonte deixa de ser paisagem e passa a ser convite.
O vento no rosto tem algo de terapêutico.
Ele não resolve os problemas, não paga as contas, não conserta as decepções e tampouco apaga as cicatrizes.
Mas, por alguns quilômetros, consegue colocar tudo isso no devido lugar.
O barulho do motor silencia um pouco o excesso de pensamentos.
A estrada ensina que algumas curvas só podem ser vencidas inclinando-se, e que acelerar nem sempre significa chegar mais rápido — às vezes significa simplesmente sentir que estamos vivos.
Há uma liberdade particular em escolher o caminho sem precisar justificar cada curva.
Uma liberdade que não se mede pela velocidade, mas pela sensação de pertencimento a si mesmo.
E talvez seja justamente por isso que motociclistas sorriam debaixo do capacete.
Porque sabem que a estrada não promete facilidades.
Ela oferece movimento.
No fundo, talvez liberdade seja isso: não ter a garantia de um caminho perfeito, mas conservar a coragem de colocar o motor para funcionar, olhar para frente e partir.
Porque, às vezes, a vida não precisa de respostas.
Precisa apenas de estrada.
E de vento na cara.
