Se tem algo em que os... Alessandro Teodoro

Se tem algo em que os políticos-influencers são especialistas, é na produção de conteúdos para manter o aluguel dos apaixonados. Eles aprenderam, cedo demais, q... Frase de Alessandro Teodoro.

Se tem algo em que os políticos-influencers são especialistas, é na produção de conteúdos para manter o aluguel dos apaixonados.

Eles aprenderam, cedo demais, que, na política das redes sociais, nem sempre é preciso entregar resultados para arregimentar apaixonados quando se pode entregar narrativas.

Um vídeo ou um corte indignado, uma frase de efeito, uma promessa cuidadosamente editada ou um inimigo convenientemente escolhido podem ser suficientes para manter acesa a chama de quem já decidiu acreditar.

E assim, a paixão política passou a funcionar como um contrato de aluguel: paga-se com atenção, compartilhamento, defesa incondicional e, às vezes, até com a própria capacidade de questionar.

Em troca, recebe-se diariamente uma nova dose de conteúdo para confirmar aquilo que o coração já escolheu antes que a razão pudesse perguntar.

O problema não está em admirar, apoiar ou defender ideias.

Toda sociedade precisa de convicções.

O perigo começa quando a convicção deixa de ser ponto de partida para a reflexão e passa a ser autorização para não refletir mais.

E o político-influencer sabe disso.

Ele não precisa necessariamente convencer o apaixonado de alguma coisa nova.

Basta retroalimentá-lo com aquilo que ele já deseja ouvir.

A cada publicação, um motivo para indignar-se com o adversário; a cada discurso, uma razão para justificar o próprio lado; a cada controvérsia, uma oportunidade de transformar política em torcida.

E torcida não exige coerência.

Exige apenas pertencimento.

Talvez por isso seja tão fácil transformar cidadãos em plateia e representantes em celebridades.

A política deixa de ser uma conversa sobre o destino coletivo e se transforma em uma disputa permanente por atenção.

Quem grita mais alto parece mais presente.

Quem viraliza parece mais relevante.

Quem provoca mais reações parece ter mais razão.

Mas existe uma pergunta bastante incômoda que todo apaixonado deveria fazer de vez em quando: e se aquilo que defendo estiver errado?

Essa pergunta não é traição.

É maturidade.

É humildade intelectual.

Pensar criticamente não significa abandonar princípios, mas submetê-los à prova.

Significa reconhecer que nenhum político deveria ocupar, dentro da nossa cabeça, um espaço que pertence à nossa própria consciência.

Porque, quando entregamos a nossa capacidade de pensar por conta própria em troca da confortável sensação de pertencer a um lado, deixamos de ser cidadãos e passamos a ser consumidores de narrativa.

E talvez seja justamente esse o grande negócio dos políticos-influencers: não vender ideias, mas vender pertencimento.

Enquanto houver apaixonados dispostos a receber o aluguel, sempre haverá quem produza conteúdo para manter o imóvel ocupado.