⁠Com tantos Dizeres Rasos,... Alessandro Teodoro

⁠Com tantos Dizeres Rasos, alegoricamente vestidos, o que não falta é quem os confunda com Profundidade. Há frases que chegam ornamentadas de palavras difíceis,... Frase de Alessandro Teodoro.

⁠Com tantos Dizeres Rasos, alegoricamente vestidos, o que não falta é quem os confunda com Profundidade.


Há frases que chegam ornamentadas de palavras difíceis, metáforas grandiosas e uma certa solenidade de quem parece ter descoberto alguma verdade escondida.


São pensamentos que se apresentam com a pompa das grandes ideias, mas que, quando despidos dos enfeites, pouco ou nada têm a dizer.


Talvez este seja um dos principais vícios do nosso tempo: confundimos complexidade com profundidade, eloquência com sabedoria e impacto com conteúdo.


Basta uma frase enigmática, uma pausa calculada ou uma imagem suficientemente bonita para que muitos enxerguem nela uma profundidade que nunca existiu.


A Verdadeira Profundidade, porém, muito raramente precisa anunciar-se.


Ela não depende de palavras rebuscadas, nem de uma aparência intelectualizada.


Às vezes mora justamente no simples — numa pergunta incômoda, numa dúvida honesta, numa ideia que nos obriga a rever aquilo que julgávamos saber.


Porque Profundidade não é aquilo que nos faz parecer inteligentes aos olhos dos outros; é aquilo que nos torna menos ingênuos diante de nós mesmos.


Há pensamentos que impressionam por alguns segundos e desaparecem com a mesma velocidade.


Outros permanecem em silêncio, trabalhando por dentro, incomodando certezas, deslocando perspectivas…


Os primeiros podem ser brilhantes na aparência.


Os segundos têm a rara capacidade de nos transformar.


Talvez seja urgente e necessário, portanto, aprendermos a desconfiar um pouco mais das frases que parecem profundas demais para serem questionadas.


Nem todo abismo é profundo; às vezes é apenas escuro.


E, numa época em que tantos disputam a atenção através de palavras cada vez mais vistosas, talvez uma das formas mais discretas de inteligência seja perguntar: há realmente algo por trás do que está sendo dito, ou é apenas uma bela maneira de não dizer coisa alguma?


No fim, a Profundidade não está no tamanho das palavras, mas na dimensão das perguntas que elas são capazes de despertar.