Por que nos Incomodar tanto com os... Alessandro Teodoro

Por que nos Incomodar tanto com os Pecados Alheios, se seremos Julgados só pelos Nossos?
Talvez uma das maiores contradições da vida espiritual seja a facilidade com que enxergamos o pecado do outro e a dificuldade que temos de reconhecer o nosso.
Somos rápidos para apontar dedos, lentos para compreender; severos com as quedas alheias e generosos demais com as nossas próprias desculpas.
Reparamos no cisco que está no olho do irmão, enquanto carregamos, muitas vezes, uma trave inteira diante dos nossos olhos.
Mas haverá um dia em que não estaremos diante de Deus para prestar contas da vida de ninguém.
Não responderemos pelas escolhas do vizinho, pelos erros dos amigos, pelas fraquezas dos familiares ou pelos pecados daqueles que passamos tanto tempo julgando.
Estaremos diante d’Ele com a nossa própria história.
E talvez a pergunta mais importante não seja: “Por que ele fez isso?”, mas: “O que eu tenho feito com aquilo que Deus colocou dentro de mim?”
Jesus não nos chamou para ocupar o lugar de juiz, mas para aprender a amar, corrigir com misericórdia e, antes de tudo, examinar o próprio coração.
Isso não significa chamar o erro de acerto, nem aceitar toda atitude como normal.
Significa apenas compreender que discernimento sem amor pode virar condenação, e zelo sem humildade pode transformar a fé em tribunal.
Há pessoas tão ocupadas fiscalizando a vida dos outros que acabam negligenciando até a própria alma.
Por isso, antes de apontarmos o dedo, talvez devêssemos dobrar os joelhos.
Antes de comentarmos a queda de alguém, talvez devêssemos lembrar das vezes em que também caímos.
Antes de exigirmos justiça para o outro, talvez devêssemos agradecer pela misericórdia que Deus tem derramado sobre nós.
Porque, no fim, não seremos julgados pela quantidade de pecados que conseguimos identificar nos outros, mas pela maneira como vivemos diante de Deus.
Que Deus nos livre de uma fé que enxerga tudo no outro e nada em nós mesmos.
Que nos dê olhos para reconhecer o pecado, mas também coração para oferecer misericórdia.
E que, enquanto ainda temos tempo, façamos menos julgamentos sobre as vidas alheias e mais exames sobre a nossa própria vida.
Afinal, antes de perguntar “o que há de errado com ele?”, talvez a oração mais sincera, urgente e necessária seja:
“Senhor, o que ainda precisa ser transformado em mim?”
