O Futuro Não Tem Dono Nos salões onde... Kenue Rangel

O Futuro Não Tem Dono


Nos salões onde o poder envelhece,
há quem confunda cargo com coroa,
quem fale do povo diante das câmeras,
mas, quando a porta fecha, só a própria voz ecoa.


Velhos hábitos, velhas vaidades,
rostos diferentes, costumes iguais.
Promessas vestidas de novidade,
mas os mesmos interesses por trás dos jornais.


À direita, à esquerda, no centro da mesa,
nenhuma bandeira apaga a responsabilidade.
Quando o poder vira escudo para o ego,
a ideologia perde espaço para a vaidade.


Escândalos aparecem, discursos se inflamam,
um culpa o outro para esconder o próprio chão.
Abusos recebem nomes diferentes,
mas continuam sendo abuso,
independentemente da posição.


Enquanto alguns disputam quem manda,
há gente esperando hospital, escola e pão.
Há trabalhador contando moedas
e jovem tentando construir uma direção.


Não precisamos de novos salvadores,
nem de ídolos tratados como reis.
Precisamos de representantes que se lembrem
de que também devem obedecer às leis.


Cadeira pública não é herança.
Mandato não é propriedade pessoal.
Poder sem limite alimenta arrogância,
e silêncio diante do erro também faz mal.


E então vem a juventude.


Não como inimiga dos mais velhos,
nem como dona absoluta da razão,
mas como geração que receberá amanhã
as consequências de cada decisão.


Uma juventude que pergunta,
que pesquisa, duvida e tenta entender.
Que não aceita “sempre foi assim”
como desculpa para nada mudar ou crescer.


Direita e esquerda podem discordar.
Isso também faz parte da democracia.
Mas nenhuma delas deveria justificar
corrupção, mentira, abuso ou hipocrisia.


O futuro não pertence a partido,
nem a sobrenome, família ou tradição.
Pertence também a quem ainda vai viver nele
e terá de conviver com cada decisão.


Que os mais novos aprendam com a história
sem repetir seus piores capítulos.
Que não troquem velhos arrogantes
por jovens carregando os mesmos vícios.


Porque renovação não é apenas idade.
É caráter, consciência e compromisso.
De nada adianta mudar o rosto
se o comportamento continua o mesmo.


Que venha uma geração menos apaixonada por políticos
e mais comprometida com o país.
Que cobre de quem está à direita
e também de quem está à esquerda.


Porque político não deve ser ídolo,
e cidadão não nasceu apenas para aplaudir.
Democracia também é fiscalizar,
questionar, cobrar e exigir.


Os velhos erros já tiveram tempo demais.


Agora o futuro bate à porta.


E ele não pergunta
se você veste vermelho, azul
ou qualquer outra cor.


Ele pergunta apenas:


Quando teve poder nas mãos,
você serviu ao povo
ou serviu a si mesmo?


— Kenue Rangel