Ganhou minha confiança, meu respeito,... Nane Lemes
Ganhou minha confiança, meu respeito, meus segredos. Teve minha admiração, parceria e lealdade ao extremo...
No fim, usou minhas fraquezas para me machucar, me adoecer e me fazer questionar até aquilo que eu acreditava sentir.
Fui obrigada a viver o luto de uma pessoa viva e a abrir mão de um amor que, por mais verdadeiro que tivesse sido um dia, já não fazia mais sentido para a minha vida.
Foi preciso aceitar que amar alguém não significa permanecer onde você se perde de si mesma.
Doeu. Muito.
Doeu porque eu não estava apenas perdendo alguém. Eu estava me despedindo de uma história, de expectativas, de planos que talvez nunca tivessem existido da forma como eu imaginava. Estava aprendendo a conviver com a ausência de alguém que continuava existindo no mundo, mas que já não podia ocupar o mesmo lugar dentro de mim.
E então veio a parte mais difícil: reconstruir quem eu era antes de tudo aquilo.
Aos poucos, fui recolhendo meus pedaços. Reaprendi a me ouvir, a me respeitar, a reconhecer meus limites e, principalmente, a entender que eu não precisava mais aceitar migalhas de presença em troca de uma ausência que me machucava.
Hoje eu ainda tenho lembranças. Ainda existe saudade de algumas coisas. E talvez sempre exista.
Mas saudade não é convite para voltar.
Eu não apaguei o que vivi. Apenas parei de permitir que o que vivi determine o que ainda vou viver.
Porque, no fim, perder aquele amor também me devolveu uma coisa que eu havia perdido pelo caminho:
Eu mesma.
