Luar frio, alma quase imperceptível aos... Celso roberto nadilo

Luar frio, alma quase imperceptível
aos olhares dos navegantes da vastidão.
Entre sussurros e lamentos ecoados
nas nuvens celestiais da solidão.
​Voz que como trovão incandesce
o mármore do inferno de jade;
ao longe, lágrimas de sangue escorrem
mar a dentro, na profundeza sem fim.
​Criaturas fantasmas navegam
nos sonhos mansos dos mortos.
Tão belos olhos que mesclam
o ar da planície esverdeada
aos tesouros ocultos
nas areias silenciosas do tempo.
​Mares bravejam as terras do norte,
canais de sonhos dentro de pesadelos.
Rios de fogo, clamores de um novo mundo:
prólogo do próprio reflexo da entropia,
envolto num pássaro que paira pelos céus
buscando terras desconhecidas.
​E no sentido mais profundo,
onde amantes vivem em estado divergente,
o gelo finalmente derrete
e forma um lago de água doce e límpida.
​Vozes ecoam — mulheres que parecem sereias
tornam-se o algoz de um sonho.
Na muralha do esquecimento,
pende a interrogação sobre a linha massiva das eras.
Soterrada num pesadelo,
minha voz repousa em teus seios.
​Tão complexos ares do mundo...
E depois deste mundo, as nuvens
terão chuvas que vêm num assopro do vento?
Pássaros cantando em meio à tempestade
erguem-se soberanos como a fênix.
​Rios a dentro de nossas vidas, um instante eterno;
avançamos nas estepes da geleira
para o ermo mais distante do mundo,
para ver seres fantásticos
e suas existências magnânimas e emblemáticas.
​A flor que desabrocha no espaço,
entre estrelas dilaceradas que observamos,
será o combustível do futuro para outras galáxias.
Novos mundos dentro do universo
ressoam no alvorecer de um novo iluminismo.
By Celso Roberto Nadilo