MESTRE BATISTA, O GRIÔ, O GRANDE PAI DO... Ucha OFe
MESTRE BATISTA, O GRIÔ, O GRANDE PAI DO SOPAPO
Neives, o Mestre. Ativista cultural e de base social. Realista. Filho de Bernardina e de Ramon Batista.
Guardião de saberes ancestrais, contador sem igual, Consagrado em grandes carnavais como grande artista.
Seu tambor rei regia o samba.
Na General Telles, o maior, o mais bamba.
Na Estação Primeira, mostrou ao povo como se faz um carnaval.
Na Academia do Samba, não precisavam perguntar "Quem é você? Quem é você?"
Todo mundo o conhecia, e quem não conhecia
vai agora conhecer
Lançou seu primeiro samba ainda no quartel
Sobre os grandes Lanceiros Negros, merecia um troféu.
Queria ter ouvido tocar ao som ensurdecedor do Sopapo,
O qual parece bater no compasso do coração.
Recebeu um nome único em homenagem aos Companheiros de farda: o Segundo Esquadrão.
Eram uma grande família de bravos guerreiros
Na linha de frente da Revolução Farroupilha.
Um paralelo entre ele e o antigo esquadrão escravizado.
Montados em cavalos, de lança na mão, no passado. Hoje não lutamos com lança, mas há uma esperança Para quem ainda acredita na educação
Já dizia uma amiga minha, Salvem a professorinha! Salvem a professorinha!
"Para mim, quase uma analogia do antes e do agora, diante das batalhas,
Com promessas ilusórias,
Onde só vejo luta e nada de glória.
Era multitarefa: intérprete, ritmista, ensaiador,
Presidente da Academia no campeonato de 87.
Época boa em que a cadência do samba batia no ritmo do coração, com amor.
Ao som do atabaque. Ensurdecedor que o peito reflete.
Pode acreditar, ele ainda é manchete!Nasceu com o dom de ver gente morta,
O que para seus pais era um tormento.
Com que frequência?
Todo tempo.
Seus pais diziam: "É coisa do demônio aquilo que tu vê. Depois ele cresceu e disse:
"Assim como o Papai Noel, o Diabo não existe"
Nasceu e cresceu rodeado pela espiritualidade.
Com a proteção dos pretos velhos e orixás,
Os quais traziam à tona a sua ancestralidade.
A mesma mediunidade que o ajudou a resgatar
O sopapo esquecido nos porões da cidade,
Trazendo à tona o verdadeiro som que satisfaz:
O atabaque rei que dá vida a sonoridade sagrada dos orixás.
Instrumento ancestral de negros escravizados,
Para o Mestre Batista, todo sopapo era sagrado,
Usado na religião, Atravessou fronteiras, feito de muitas madeiras,E de couro animal oriundo do abate.
Hoje o instrumento venceu as barreiras,
Tornou-se contemporâneo graças a grandes debates.
Sua arte virou pública, chamava a atenção,
Por sua sonoridade grave e única Segundo o próprio mestre, era instrumento
Versátil.
Das mãos escravizadas, para a valsa e o tango.
E assim que foi para o carnaval, virou objeto profano.
Hoje se usa a invenção de Graham Bell,
Mas antigamente, o sopapo mandava mensagem pelo ar,
Com o toque do tambor como se fosse um cordel,
Com avisos de orixás que ecoavam no céu. Fez parte de grandes projetos.
Entre eles o Cabobu, idealizado por Giba Giba,
Com o qual teve forte ligação.
Giba Giba tinha uma mente coletiva e viva,
Para o mestre, era um anarquista guardião.
Seu ensinamento ainda ecoa
Eternizado também no Museu da Pessoa.
Historiador, ajudante de pedreiro.
Ooleiro,
Deixou sua marca na Ideal e na Cruzeiro.
Abençoado em tudo o que desempenhou.
Motorista na Nossa Senhora da Penha, onde se aposentou.
A sabedoria lhe pertencia e o consagrou,
Eternizado para sempre no coração de Dona Maria.
Deixou seus ensinamentos ao grande luthier, seu filho, Mestre José,
Pois sabemos bem que filho de guerreiro, guerreiro também é.
Como dizia Mestre Batista:
"Tudo que se refere à cultura me agrada. Sou negra em movimento e feliz". E como o grande griô, sigo a minha estrada, Amando o som do tambor
Grande Mestre Batista, que em vida brilhou
,Recebendo em 2008 o diploma de Mestre Griô.
Guardião sagrado da memória oral, do samba e da lutheria,
Do tambor do sopapo, tendo reconhecimento oficial,
Pois era a cultura viva da Ação Griô Nacional.
Não é sobre o tambor em si,
É sobre aquilo que tem no sopapo e que se sente.
É algo que envolve toda a gente.
É energia viva, ancestral e latente.
