FIGNER E D. PEDRO II — A LINHA... Marcelo Caetano Monteiro
FIGNER E D. PEDRO II — A LINHA HISTÓRICA DO FONÓGRAFO
Antes mesmo de Frederico Figner se tornar uma das figuras decisivas da história da gravação sonora no Brasil, D. Pedro II já havia demonstrado interesse pelas novas conquistas da tecnologia. O Imperador acompanhou, ainda na década de 1870, as primeiras demonstrações do fonógrafo no país e, em 1878, autorizou-se a introdução comercial do invento de Thomas Edison em território brasileiro.
A trajetória de Figner cruzaria essa história alguns anos depois. Em 1889, ainda nos Estados Unidos, ele conheceu o fonógrafo em San Antonio, no Texas. Fascinado pelas possibilidades comerciais do aparelho, iniciou uma trajetória que o conduziria ao Brasil. Em 1891, desembarcou em Belém com fonógrafos, cilindros e acessórios; percorreu cidades do Norte e do Nordeste realizando demonstrações e, no ano seguinte, chegou ao Rio de Janeiro, onde se estabeleceria definitivamente.
A aproximação histórica entre Figner e D. Pedro II, portanto, não deve ser entendida como uma relação pessoal, mas como a convergência de duas trajetórias na introdução e consolidação de uma mesma revolução tecnológica. D. Pedro II esteve entre os primeiros brasileiros a acolher com curiosidade e interesse as experiências relacionadas à reprodução do som; Figner, posteriormente, transformaria aquela novidade em empreendimento permanente, levando-a ao público, desenvolvendo o comércio de aparelhos e gravações e, mais tarde, criando a Casa Edison.
Existe, nesse percurso, uma curiosa passagem de bastão entre duas épocas: o Imperador que assistiu, maravilhado, ao nascimento de uma tecnologia capaz de conservar a voz humana e o imigrante que, anos depois, ajudaria a transformar essa maravilha científica em prática cotidiana no Brasil. A história de ambos se toca, assim, não necessariamente pela intimidade dos homens, mas pela história de uma invenção que modificaria para sempre a relação entre memória, música, voz e tempo.
