A corrupção não justifica o combate... Fernandosoeiro

A corrupção não justifica o combate corrupto á corrupção.

Para se encontrar algo é necessário começar a procurar.

É esta a questão que está por baixo da minha argumentação.

Eu não estou propriamente a tentar defender «os fins justificam os meios». Estou a fazer uma pergunta anterior e talvez mais incómoda:

«Quem determina quais são os meios que um fim legítimo pode legitimamente utilizar?»

Porque, a partir do momento em que aceitamos que determinados meios podem ser admissíveis ou não, para alcançar um fim considerado legítimo, aparece imediatamente o problema:

Quem estabelece o limite?

* A lei?
* Um juiz?
* O Estado?
* Uma autoridade policial?
* A necessidade?
* A consciência individual?
* A maioria?
* Ou o próprio resultado obtido?

E aqui está o perigo: quem controla os meios pode acabar por definir aquilo que considera legítimo.

É por isso que o meu exemplo sobre os meios que justificam o combate à corrupção é pertinente. Não prova que qualquer meio corrupto seja justificável; mostra que a fronteira entre um meio ilícito, um meio excepcionalmente autorizado e um meio abusivo não é simplesmente determinada pelo objetivo declarado.

E eu faria uma pequena evolução na frase inicial: A corrupção não justifica o combate corrupto á corrupção

Para:

«A corrupção não justifica o combate corrupto à corrupção.»

Agora passo para uma pergunta:

«Se o fim é legítimo, quem legitima os meios utilizados para o alcançar?»

Esta segunda já não é uma máxima que dá uma resposta. É uma pergunta que obriga quem fez a afirmação a revelar o critério que utiliza.

E, conhecendo a maneira como tenho vindo a construir as minhas ideias em relação, acho que é precisamente aí que quero chegar: não aceitar a conclusão antes de descobrir quem escreveu as regras que permitiram chegar até ela.