A escrita viva. O que escrevo não venha... Leila Boás

A escrita viva. O que escrevo não venha da inteligência artificial,
mas nasça manso, do chão quente do meu peito,
que cada frase seja o traço mais fiel
do que sofri, do que perdi, do que foi feito.Que os meus dias sejam guiados pelo autor
de cada aurora que se abre em minha janela,
que Jesus corrija em silêncio o meu temor
e me ensine a ser verdade naquilo que revela.Quando o cansaço enfim baixar meu pobre corpo
e o mundo siga sem lembrar do meu abrigo,
que reste ao menos um sinal do que fui vivo:minha lápide adornada em lírios
e escrito, simples, num descanso definitivo:
“O que escreveu foi de alma, não código.” Leila Boás 06/01/2026