O Silêncio de Vidro Tudo se fez... Roseli Schionato Ribeiro...

O Silêncio de Vidro
Tudo se fez deserto, o verbo se perdeu no intransponível.
Há dias em que o sol ensaia um brilho,
mas a luz é breve, quase um suspiro que se apaga.
Ainda que o amor resista, no cuidado e no abrigo,
há um medo que sussurra: o receio da crítica,
a sombra de nunca ser o suficiente diante da cobrança voraz.
É preciso erguer-se em aço, esconder as cicatrizes,
pois neste mundo de máscaras, o sentir é vigiado:
Se choro, chamam-me fraca.
Se entristeço, dizem ser futilidade.
Se me indigno, taxam-me de desequilíbrio.
A alegria, que antes era bússola e motivação,
agora deságua em ansiedade e num vazio cinzento.
Vi o caráter e o ego serem postos em altares,
enquanto a humanidade se perde no egoísmo,
atropelando corações sem olhar para trás.
Nesta minha verdade nua, nesta sinceridade que dói,
sinto o peso de ver o que muitos ignoram.
Ah, quem me dera a cegueira do espírito,
o silêncio dos ouvidos e a anestesia do peito...
Pois enxergar o invisível e sentir o que fere
é o fardo de quem ainda insiste em ser humano.
(Assinado: Roseli Ribeiro)