A criança se reconhece, se vê... Eli Odara Theodoro

A criança se reconhece, se vê possível, bonita e digna de afeto, sem precisar negar sua identidade.
Toda criança precisa encontrar referencias, na primeira infância, uma referência de cabelo igual ao seu é fundamental para a construção de sua autoestima. Principalmente quando, no contexto em que vive, está inserida, quase nada fala sobre ela, sobre sua beleza, preta, sua identidade ou sua valorização.
Ela precisa compreender, desde cedo, que não precisa se tornar parecida com quem não é igual a ela para ser aceita. Ela também é bonita. Ela também merece existir plenamente, com suas características de menina preta.
Por isso, apresentar referências que a representem, brinquedos parecidos com ela, pessoas parecidas com ela, histórias que dialoguem com sua identidade, é uma forma de afirmar sua existência, sem negá-la.
Mesmo quando o mundo ao redor insiste em invisibilizá-la, reconhecer sua imagem, seu cabelo, seus traços e sua cultura, é um ato de cuidado, pertencimento e resistência.
Modificar essa criança para adequá-la a um padrão imposto por uma estrutura racista , preconceituosa é ensinar, silenciosamente, que quem ela é, não basta. E isso também é uma forma de violência, preconceito vivido desde cedo.
Crianças negras precisam ser amadas como são. Aceitas como são. Porque quando tudo ao redor diz que elas não podem ser quem são, crescem acreditando que precisam se fragmentar para serem acolhidas.
E uma criança que aprende a negar a si mesma dificilmente consegue crescer inteira.