SAUDADE PAI Te perder, pai, em uma data... T.Lauren
SAUDADE PAI
Te perder, pai, em uma data tão carregada de significado, deixa um vazio, uma dor difícil de explicar. E a saudade aparece nos detalhes mais simples: na lembrança, na frase tão nossa — “não tenho dinheiro!”
E, na vontade repentina de contar algo que aconteceu no meu dia.
A verdade é que, quando a gente perde alguém que ama profundamente, não sente apenas falta da pessoa. A gente sente falta da versão de nós mesmos que existia quando ela estava aqui.
Pai, sei que você ainda permanece vivo em mim de muitas maneiras: no jeito de sentir, de agir, nas brincadeiras, nas piadas e em memórias que ninguém pode apagar. Agora eu entendo por que a saudade dói — ela dói porque o amor foi real.
E amor de verdade não desaparece; ele só aprende a existir de outra forma dentro da gente.
Na forma de lembranças que continuam aquecendo, mesmo em dias difíceis.
No jeito que alguma frase ainda aparece na minha cabeça quando eu preciso.
Nos hábitos, nos conselhos, nas datas especiais, nas músicas e nos momentos em que percebo que carrego algo dele sem nem notar.
Às vezes, quem parte deixa de existir ao nosso lado fisicamente, mas continua existindo dentro de nós, através da forma como amamos, cuidamos, sentimos e enxergamos o mundo.
O amor não acaba quando a presença termina.
Ele muda de lugar e de forma.
Porque vínculos profundos não ocupam só espaço na rotina; ocupam espaço dentro da nossa identidade emocional.
Pai é referência de amor, proteção, memória, história e pertencimento. Quando alguém assim parte, não é apenas a ausência física que dói; é o silêncio que fica onde antes existia presença.
O problema é que o cérebro entende que a pessoa morreu, mas o coração continua procurando por ela nos lugares de sempre: numa ligação que não virá, numa conversa imaginada, numa vontade de contar algo importante, de comemorar, de abraçar e de sentir o calor do amor e da torcida real e sincera.
E existe uma outra parte difícil: o amor continua existindo, mas já não tem onde pousar da mesma forma. Por isso a saudade parece tão intensa — é amor sem poder voltar ao lugar de antes.
