Venho de uma época diferente.... Leonardo Marthiniano
Venho de uma época diferente.
Demasiadamente distante daquilo que o mundo se tornou.
Onde as coisas eram um tanto menos fragmentadas.
Não no sentido literal.
Mas há algo em minha essência
que nunca pertenceu completamente a este tempo.
E talvez seja por isso
que eu tenha buscado refúgio
nas ruínas silenciosas do passado.
Onde ainda havia silêncio na contemplação.
Nas marcas deixadas pelo tempo sobre as páginas.
E em diálogos que existiam apenas para serem sentidos.
Às vezes sinto
como se estivéssemos nos afastando
daquilo que nos torna humanos.
Não pela tecnologia.
Nem pela globalização.
Mas pela incapacidade
de manter vínculos reais.
E enquanto o mundo corre desesperadamente
em direção ao excesso e à distração,
minha alma ainda anseia
por profundidade.
De forma silenciosa.
Quase hermética.
Talvez seja por isso
que eu admire tanto aquilo que resiste ao tempo.
As palavras escritas à mão.
Os sentimentos que permanecem em silêncio.
E as raras pessoas
que ainda sabem sentir
em um mundo anestesiado por estímulos.
Porque no fim,
como escreveu Shakespeare,
“somos feitos da mesma matéria dos sonhos”.
E talvez o maior erro deste tempo
tenha sido transformar sonhos em consumo,
e almas em vitrines.
