O Eco do Adeus As paredes ainda guardam... jrcmoro

O Eco do Adeus
As paredes ainda guardam o som,
uma frequência que o tempo não apaga.
Disseste "amo-te" com o tom de quem fica,
mas partiste com o passo de quem deságua.
É um deserto que se atravessa a sêxtuplo,
carregando o peso de uma palavra oca.
O amor, quando é um monólogo,
é brasa que queima apenas uma boca.
Ficou o verbo, mas faltou o chão.
A reciprocidade é um porto que não avistei.
Foste embora levando a direção,
deixando o "nós" no rastro do que sonhei.
Agora resta o hábito de te esperar,
mesmo sabendo que o laço se rompeu.
Pois pior que nunca ter ouvido o amar,
é ouvir o "amo-te" de quem nunca foi meu.