Olhando para trás, percebo que passamos... Valdir Enéas Mororó Junior

Olhando para trás, percebo que passamos muito tempo em sintonias diferentes. Enquanto eu lutava com todas as minhas forças para manter a nossa chama acesa, parecia que você já estava com a mão na maçaneta, pronta para partir muito antes de realmente ir embora. É uma sensação solitária amar por dois, planejar por dois e, no fim, sobrar apenas um.
Eu não te desejo mal, mas, como diz aquele pensamento, eu desejo que um dia você sinta exatamente o que eu senti. Não pela dor em si, mas pela clareza. Espero que um dia você saiba o que é deitar a cabeça no travesseiro e não encontrar respostas, apenas perguntas sobre onde foi que os planos se perderam. Espero que você entenda o peso de ver alguém que você ama se tornando um estranho aos poucos, enquanto você tenta segurar areia entre os dedos.
Talvez só assim você compreenda que o "nós" não morreu por falta de aviso, mas por falta de cuidado. O amor é uma escolha diária, e eu escolhi você em cada um desses dias, mesmo nos mais difíceis.
Hoje, eu aceito que o amor não pode ser uma prisão. Se você precisava ir para se encontrar ou para buscar algo que eu não podia dar, que assim seja. Fico aqui com a minha consciência em paz, sabendo que entreguei o meu melhor, mesmo que esse "melhor" não tenha sido o suficiente para você ficar.
Quem sabe o tempo te mostre o valor do que deixamos para trás. Talvez sim, talvez não. De qualquer forma, eu sigo em frente, aprendendo a ser "eu" novamente, agora que o "nós" virou apenas memória.