Não existem avisos para os últimos... Valdir Enéas Mororó Junior

Não existem avisos para os últimos momentos. Se houvesse, eu teria segurado o seu abraço por mais alguns minutos, teria ignorado o relógio e dito, com todas as letras, o quanto você era o centro do meu mundo. Mas a vida não oferece esse roteiro; ela simplesmente acontece e, às vezes, nos deixa para trás com as mãos cheias de "depois" que nunca chegarão.
Dói perceber que o que mais me machuca não é apenas a sua ausência, mas o silêncio que ficou entre nós. Guardei tanta coisa achando que o tempo era infinito, que teríamos outras manhãs, outros cafés e outras chances de consertar os erros pequenos. Agora, me vejo revisitando nossas memórias como quem tenta encontrar uma saída em um labirinto, procurando o instante exato em que eu deveria ter feito diferente.
Essa sensação de algo inacabado é um peso constante. É uma saudade que não tem para onde ir, um fim que não faz sentido porque não teve um ponto final, apenas reticências.
Escrevo isso não para pedir que volte, mas para libertar o que sufoquei aqui dentro. Quero que saiba que, mesmo no silêncio, você foi importante. Que cada palavra que deixei de dizer agora se transforma nesse desejo sincero de que você encontre paz, onde quer que esteja. Estou aprendendo a carregar esse vazio sem deixar que ele me destrua, transformando a falta do seu adeus na minha própria maneira de seguir em frente.