Olho para onde estamos hoje — dois... Valdir Enéas Mororó Junior

Olho para onde estamos hoje — dois estranhos que um dia souberam tudo um do outro — e confesso que ainda não aprendi a caminhar sem o peso da sua falta.
Te deixar ir foi a decisão mais difícil que já tomei, e a mais dolorosa também. Queria que você soubesse que a minha partida nunca foi por falta de querer ficar. Às vezes, a vida nos coloca em encruzilhadas onde o amor, sozinho, parece não saber o caminho de volta, e a gente acaba se perdendo tentando se encontrar.
Sinto falta de quem eu era quando estava com você. Sinto falta das nossas conversas sem nexo, das brincadeiras que só nós entendíamos e até das brigas que, no fim, sempre mostravam o quanto a gente se importava. Tínhamos aquela coragem bonita de quem achava que nunca se perderia, mas o destino teve outros planos.
Hoje vivemos vidas separadas, sem notícias, sem o "bom dia" ou o "como foi seu dia?". É estranho como o mundo continua girando enquanto uma parte de mim ainda está estagnada naquele último adeus. Dói perceber que nos tornamos desconhecidos com um passado compartilhado.
Não sei se nossos caminhos vão se cruzar novamente, mas, se o acaso permitir, espero que a gente se encontre com o coração mais leve. Até lá, guardo as memórias como um refúgio. Você foi, e sempre será, a minha melhor companhia.