No maio da manhã que nasce, tardam... Monalisa Ogliari
No maio da manhã que nasce, tardam trabalhadores nas fábricas iluminadas, onde não cabe a luz solar. Você me deixou de ressaca, de ressaca também fica o mar. Mas esqueça, é mês de maio, logo vai raiar meu aniversário e se tenho paz já ganhei meu merecido presente. O cravo brigou com rosa. O cravo saio ferido e a rosa saiu de casa. Mais me alegra o presente se você está ausente, meu ser incandescente que brilha resistente. E falo quando escrevo, porque nada me cala se sou abundância na sala. Quero um céu azul para você que escureceu a praia de minhas pegadas. De você não quero nada, apenas matéria bruta para esquecer a realidade. No quadro da Mona Lisa pinto também o meu sorriso. E posso dizer que sozinha estou no paraíso. Hoje vai chover, dizem os ímpios. E eu guardo o sol em meu peito, se desperto e estou inteira, como uma centenha do sagrado que perdoa meus pecados. E sou casta se meu ser contrasta com ironias passadas. Eu me invento todos os dia e faço minha estrada em poesia arte na surreal melancolia de qualquer vivente. Me farto de rimas e trocadilhos se a frase abunda no esplendor da estação. Não queira comer minha beleza se ela está farta na mesa. Deitada eternamente em peito plácido. E o meu ser não é frágil. É uma seiva bruta que te fala abrupta sua encenação folclórica tal qual o curupira com os pés inversos. Se me ataca você erra, se era em meu ser primavera. E é inútil te dar o sol, se no final você chove e faz da terra vermelha a lama das esculturas. Marcha soldado, cabeça de papel, você não vai me roubar o céu. Por que cobrar com juros o que dei de graça. O mercantilismo do seu amor que rouba o ouro dos meus olhos. Ficam na minha face os diamantes, se sou rica de versos errantes. É mês de maio e estou em liberdade, se já arranquei as grades que me prendiam a você. E lamento se você se mostra bruto e sarcástico. Um coração de plástico. Talves eu acorde esperta e saiba a diferença do joio e do trigo, você que eu pensava ser amigo. Pois que não conte mais comigo, porque serei abrigo de almas mais verdades, que elevam no céu estrelas. Minha mente está clara e escrevo na sala minha voz incarnada que desconhece som embriagado que mais raso fica quanto mais fundo cava. Primeiro de maio, dia do trabalhador. De alegria se enche quem passou além da dor. À amizade sincera direciono meu amor. Se meus versos te parecem falhos te convido a sair do recinto, pois estou em paz e não quero atrito. Eu quero apenas um felino para limpar meus olhos. E amo mais gatos do que você. É fato. Minha gatinha sumiu. Quem roubou minha gatinha, você sabe, você sabe, você viu?
