A fábula da recomposição Havia... matheushruiz

A fábula da recomposição


Havia alguém que acreditava no amor como recomposição, mas não como acréscimo.
Dizia: “que você seja o que eu não consegui ser”,
porque existir sabendo que tinha aquele amor
era algo mágico —
e o sorriso dele era o único lugar onde queria estar.


Nunca lhe fez mal.
Nunca quis ferir.
Mas, de repente, ele sumiu.


Foi como um porto que se fecha sem aviso:
nada mais seguro,
o cais distante,
e nenhum sinal de volta.


Disseram: “quando você é jovem, você não sabe de nada.”
Mas aquela pessoa sabia o que sentia.
Porque uma das melhores sensações da vida
é amar.


E entendeu também que a maior felicidade
é fazer sentido na vida de alguém
e ser amado de volta.


Aprendeu que amar é doação,
é se dar ao outro.
Mas percebeu que o amor, às vezes,
fala uma língua parecida com a paixão —
e por isso confunde,
e por isso precisa ser pensado
sem se perder na emoção.


Um dia, descendo as estradas do Sul,
veio uma ligação…
e, enfim, a confirmação:
ele se foi.


E então ficou a dúvida:
de que adianta conseguir o que se quer,
se não é o que se precisa?


Porque há um tipo de dor silenciosa:
amar alguém
e ainda assim ser desperdiçado.


E há também aquela insistência do sentimento,
quando se está apaixonado demais para esquecer.


Mas, no fim, ficou um aprendizado:
se nunca tentar seguir,
nunca saberá o próprio valor.


Moral da história:
Amar não é apenas tentar recompor o que existiu, mas reconhecer quando é preciso ir além, para não se perder de si mesmo.