⁠Não há ausência de sentimento... Alessandro Teodoro

⁠Não há ausência de sentimento maior e mais medonha do que a dos que se atrevem a julgar o sentimento alheio. Há uma estranha soberba em quem se coloca como árb... Frase de Alessandro Teodoro.

⁠Não há ausência de sentimento maior e mais medonha do que a dos que se atrevem a julgar o sentimento alheio.


Há uma estranha soberba em quem se coloca como árbitro da dor do outro, como se emoções fossem fatos mensuráveis, passíveis de perícia tão gélida.


Julgar o sentimento do outro é, antes de tudo, ignorar a vastidão invisível que cada pessoa carrega — histórias não contadas, cicatrizes que não se exibem, batalhas travadas no silêncio.


Quem invalida o sentir alheio, muitas vezes, não o faz por força, mas por ausência — ausência de empatia, de escuta, de profundidade…


É mais fácil desqualificar do que compreender; mais confortável rotular do que acolher.


Afinal, reconhecer a dor do outro exige, inevitavelmente, encarar as próprias limitações emocionais.


Mas sentimentos não obedecem à lógica dos tribunais.


Eles não precisam de provas, tampouco de aprovação.


Sentir é, por si só, um ato muito legítimo.


E cada emoção, por mais incompreensível que pareça, nasce de um lugar real dentro de quem a vive.


Talvez a verdadeira humanidade resida menos em explicar o que o outro sente e mais em respeitar que ele sente — mesmo quando não entendemos, mesmo quando não concordamos.


Porque, no fim, a maior pobreza não está em sentir mais ou sentir menos, mas em sentir tão pouco a ponto de negar a existência do sentimento alheio.