⁠Normalmente, quando a Crítica ou... Alessandro Teodoro

⁠Normalmente, quando a Crítica ou Julgamento é de Mulher para Mulher, só consigo ver Duas Vítimas. Há, nesse tipo de embate, uma dor tão silenciosa que muito ra... Frase de Alessandro Teodoro.

⁠Normalmente, quando a Crítica ou Julgamento é de Mulher para Mulher, só consigo ver
Duas Vítimas.


Há, nesse tipo de embate, uma dor tão silenciosa que muito raramente alguém sabe — ou se atreve a — nomeá-la.


Não se trata apenas de um conflito entre indivíduos do mesmo gênero, mas de um reflexo profundo de estruturas que atravessam gerações.


Quando uma mulher critica ou julga a outra, com ou sem dureza, muitas vezes não está exercendo poder — está reproduzindo um sistema que, historicamente, a ensinou a competir, a vigiar, a se moldar e a sobreviver dentro de limites mais estreitos.


O machismo não se sustenta apenas pela imposição direta, mas também pela internalização.


Ele se infiltra nos gestos cotidianos, nas expectativas sobre o corpo, o comportamento, a maternidade, a carreira, a sexualidade…


E, quando não é questionado, passa a ser replicado até por quem também sofre seus medonhos efeitos.


É assim que a opressão se disfarça de opinião, de conselho e de “preocupação”.


Isso não significa ignorar responsabilidades individuais, mas compreender que nenhuma mulher nasce julgando outra com base em padrões opressivos — isso é aprendido.


E, como tudo que é aprendido, também pode ser desaprendido.


Por isso, talvez o primeiro passo não seja reagir com mais julgamento, mas com consciência.


Perguntar de onde vem esse olhar, quem ele beneficia e quem ele fere.


Reconhecer que, ao invés de rivais, mulheres compartilham experiências atravessadas por desigualdades comuns, ainda que vividas de formas diferentes.


Romper com esse ciclo exige muita coragem.


Exige desconforto.


E exige, sobretudo, a disposição de substituir a crítica automática pela escuta, a comparação pela empatia, e o julgamento pela construção coletiva.


Porque, no fim, quando uma mulher tenta diminuir a outra para caber em padrões que nunca foram feitos para nenhuma delas, o sistema vence — e ambas perdem.


Mas quando há reconhecimento, acolhimento e consciência, algo se transforma.


E talvez seja aí que a luta contra o Machismo Estrutural deixe de ser apenas árdua e comece, de fato, a ser libertadora.