Há um paradoxo no desenvolvimento... Davi Roballo (D.R)

Há um paradoxo no desenvolvimento psíquico: a maturidade, tal como culturalmente construída, frequentemente corresponde a uma anestesia progressiva da capacidade de ser tocado. O bebê chora porque foi tocado em profundidade; o adulto sorri porque aprendeu a filtrar. Isso se chama de adaptação, mas a clínica conhece seus custos: o luto pelo excesso que foi domesticado, pela intensidade que foi chamada de inapropriada, pela ferida que foi intelectualizada para não precisar ser sentida. Quando no fim da vida algo se comove com um pôr do sol, não é regressão: é o retorno ao que sempre esteve ali, soterrado por camadas de contenção que, ao final, o tempo desfaz.