A experiência subjetiva é, por... Davi Roballo (D.R)
A experiência subjetiva é, por estrutura, intransferível. Nasce-se em radicalidade de solidão — a percepção própria, o sonho interno, o modo singular de sentir o abandono ou o prazer — e nenhum vínculo elimina essa impermeabilidade. O que chamamos de intimidade é a tentativa, sempre parcial, de criar pontes entre dois mundos fechados. As relações não são fusão — são aproximações de solitários que buscam no outro o que falta e oferecem o que transborda. Não há encontro absoluto: há aproximações imperfeitas que, ainda assim, constituem a única forma de travessia que o humano conseguiu inventar para suportar a própria condição.
