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SER OU NÃO SER É o luxo do lixo, A... Júlio Raizer

SER OU NÃO SER
É o luxo do lixo,
A capital no interior
A bela na esquina
O riso de amor

É a seca lavada
Que chuva não quis
Uma alma largada
Perfume de anis

A metade de um dia
O clarão do luar
O sentir da saudade
O chão para voar

Um sentido sem veia
Uma razão que se deu
Os convidados para a ceia
O vasto espaço do céu.

É um pouco bastante
Largado sem mais
É a vela erguida
Partindo do cais.

Vida inteira ligeira
Sem fim de contar
Língua doce sujeita
Rápido jeito de amar.

É a frase perdida em verso,
A expressão salutar
Caminhos cruzados de alerta
Ardente magia, o limiar

Flores que perfumam o hoje
Cética cadência do amanhã
Culpado inocente implora
Mãos com toque de hortelã.

Valei-me a prece que rogo
Dizer-me-ia a alma, terror
Livrar-me da vitória, o jogo
Salvar-me-ia o nobre senhor.

É o peixe afogado nadando
Ave que caminha no ar
Guerra sem arma ou soldado
Dormir sem precisar levantar.

O sossego apegado ao nada
Poesia dita sem dizer
Resquício do suco amargo
Jardim guardado no ser

Ser sem saber o que será
Sendo suficiente, o bastante
Acesa na eternidade, a vela
Incendeia pra sempre seu instante.
(Júlio Raizer)