Solidão A solidão é como uma velha... Júlio Raizer
Solidão
A solidão é como uma velha senhora cansada.
Olhos fundos com sonhos desfeitos.
Guarda seus dias de glória na lembrança, Sorri inquieta diante crua realidade.
A solidão é a presença constante daquilo que não deveria ter partido, mas se foi.
A cor rasgada de um arco-íris, a íris presa numa retina que arde pela dor.
Uma bebida amarga que rasga o peito enquanto desce pela garganta, machucada por gritos da sua alma inquieta.
Solidão, passeio inveterado pelo paraíso das trevas.
Parceira de um abismo sedento pela próxima alma desavisada.
Deserto de palmas numa canção, que silenciosa brada aos ventos a sua mórbida sentença.
Solidão, sempre ela a perturbar os dias cinzas, sob um céu que já foi azul.
A fumaça sobe em direção ao imenso
vazio, um corpo trafega de mãos dadas com a ansiedade e, chamando por socorro encontra no medo um perfeito aliado.
Feitiço jogado num espelho, refletido no devaneio da esperança de encontrar abrigo para sua canção.
A voz abraçada por paredes, o corpo vigiado por concreto, a cabeça repousada no travesseiro...
Assim a velha adormece, buscando em seus sonhos a companhia que lhe falta. (Júlio Raizer)
