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Debaixo de um sol que molda o couro e a... Michel.Dias

Debaixo de um sol que molda o couro e a alma,
Nasce o gigante que o mundo não conheceu.
Não há elmo de viking, nem frio de europeu,
Que vença a fibra de quem planta na calma
E colhe a vida onde o chão parece que morreu.
É um povo arretado, de punho cerrado e forte,
Mas que não usa a força para a destruição.
Se o destino fosse guerra, seria o dono da sorte,
Venceria batalhas, do sul até o norte,
Pois traz o vigor da rocha dentro do coração.
Mas sua maior glória não é o aço ou a espada,
É a humanidade que transborda no olhar.
É o amor que acolhe na beira da estrada,
Mesmo quando a mesa parece minguada,
O nordestino ensina o que é compartilhar.
E quando a seca aperta e a fome vira nó,
Vem o sacrifício que a história não apaga:
Enviaram seus filhos, restando apenas o pó,
Para terras distantes, enfrentando o pior,
Pra que o pão na família nunca fosse uma chaga.
"Tristes partidas", ecos de um cais ou de um chão,
Lágrimas que regam a saudade e a esperança.
Gente que parte levando o sertão na mão,
Trabalhando o dobro por cada irmão,
Com a fé de um velho e o sonho de uma criança.
Nordeste é o brilho de um povo vitorioso,
Que não se curva ao tempo, nem ao esquecimento.
É o amor que vence o destino rigoroso,
E mostra ao mundo um brilho majestoso:
A maior resistência é o sentimento.


Michel Dias