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A Páscoa não é — e nunca foi — um... Aerton Luiz Lopes Lima

A Páscoa não é — e nunca foi — um fenômeno comercial!


Reduzi-la ao chocolate, ao consumo, à superficialidade das vitrines, é um sintoma claro de uma sociedade que perdeu a capacidade de compreender o essencial.


Não se trata de condenar tradições.
Trata-se de hierarquia de valores!


O que está no centro?
O que é fundamental?
O que é inegociável?


A Páscoa é, antes de tudo, a afirmação de um evento que desafia a própria lógica humana:
a morte e a ressurreição de Jesus Cristo.


E aqui é preciso rigor intelectual!


A cruz não é ornamento, não é símbolo decorativo!
Ela representa um ponto exato onde duas forças aparentemente incompatíveis se encontram:
— a justiça, que exige consequência
— e a misericórdia, que oferece redenção


Isso não é sentimentalismo.
Isso é estrutura lógica!


Agora eu pergunto — e é uma pergunta que exige resposta:


Se o amor verdadeiro implica sacrifício,
por que insistimos em tratá-lo como algo leve, descartável, conveniente?


A ressurreição, por sua vez, não pode ser diluída em metáfora!
Se ela ocorreu, então todas as premissas da existência humana são alteradas!


Repito:
todas!


— a morte deixa de ser definitiva
— o sofrimento ganha contexto
— e a vida passa a ter um sentido que não é arbitrário


Ignorar isso não é neutralidade.
É uma escolha!


Uma escolha filosófica, existencial — e muitas vezes, uma fuga.


Portanto, não basta celebrar.


É preciso compreender!


E compreender implica responsabilidade!


Porque, se isso for verdadeiro — e essa é a questão central — então não estamos diante de uma tradição…


Estamos diante de um chamado!


Um chamado à coerência, à reflexão, à tomada de posição.


A Páscoa não é um dia.


É uma interrogação permanente:


o que você fará com essa verdade?


Feliz Páscoa.