A fome empurra o caçador à beira do... Raimundo Santana
A fome empurra o caçador à beira do abismo,
onde o risco dança com a necessidade.
Seus passos não são feitos só de coragem,
mas de urgência —
de quem não pode voltar de mãos vazias.
Do outro lado, a caça pressente o vento,
lê no silêncio o sinal da ameaça.
Carrega nos olhos o instinto antigo,
o chamado bruto da sobrevivência.
Não é fraqueza fugir —
é sabedoria guardar o próprio sopro de vida.
E nesse encontro invisível,
não existe vilão nem herói.
Apenas a lei crua da existência,
onde um precisa viver…
e o outro luta para continuar sendo.
Talvez a vida seja isso:
um equilíbrio inquieto,
entre a fome que nos move
e o medo que nos protege.
