A Senhora Inspiração Pedi à senhora... Miriam Da Costa
A Senhora Inspiração
Pedi à senhora Inspiração
para guiar a minha escritura
e me fazer escrever algo belo,
profundo, marcante e visceral.
Ela me respondeu que
não é serva de vaidades apressadas,
nem ornamento para desejos de grandeza.
Disse-me, com a calma
de quem conhece o tempo,
que o belo não se pede,
revela-se.
Que o profundo não se inventa,
escava-se.
Que o marcante não se força,
atravessa.
E o visceral?!
ah, o visceral,
não se escreve com canetas ou teclas,
mas com aquilo que pulsa
e que sangra no âmago.
Então, pediu-me silêncio.
Mandou-me despir as palavras
fáceis e corriqueiras,
abandonar os enfeites,
e descer, sem garantias,
à parte de mim
onde nem eu ouso permanecer.
“Escreve dali”, ela disse.
“Do lugar onde a dor não se explica,
onde a memória não pede licença,
onde a verdade não aceita maquiagem.”
"Escreve olhando nos olhos
a inata escritora que és."
E partiu,
como partem as coisas sagradas,
sem ruído,
sem promessa,
sem retorno marcado.
Desde então,
Ela vai e vem... vem e vai...
como as ondas do mar.
E eu,
não peço mais nada à senhora Inspiração,
simplesmente, sigo obedecendo-a.
"Manda quem,
obedece quem tem juízo. "
Escrevo para ser inteira.
Simplesmente, escrevo com a alma.
©️✍@MiriamDaCosta
