⁠⁠O Machismo Invisível: As... Alessandro Teodoro

⁠⁠O Machismo Invisível: As Sutilezas que Enfraquecem a Nossa Luta. Para fortalecermos Honestamente a Luta contra a Violência de Gênero, primeiramente precisamos... Frase de Alessandro Teodoro.

⁠⁠O
Machismo Invisível:
As Sutilezas que Enfraquecem
a
Nossa Luta.


Para fortalecermos Honestamente a Luta contra a Violência de Gênero, primeiramente precisamos quase todos nos desconstruirmos…


A começar pelo hábito de “feminilizar” a pessoa do machista que fingimos combater.


Há uma contradição muito silenciosa nisso.


Quando associamos o comportamento machista a algo “feminino” como forma de ofensa, não estamos combatendo o machismo — estamos apenas reafirmando, disfarçadamente, a mesma lógica que sustenta o problema.


É como tentar apagar um incêndio jogando sobre ele o combustível que fingimos rejeitar.


Essa distorção revela o quanto o machismo não está apenas nos atos mais explícitos, mas também nos detalhes da linguagem, nas piadas, nas expressões automáticas, nos vícios culturais que repetimos sem perceber.


Combatê-lo exige mais do que apontar o outro — exige coragem para revisitar a si mesmo.


Porque é sempre mais confortável enxergar o machismo como algo externo, encarnado em figuras caricatas, distantes de nós.


O difícil é admitir que ele também se manifesta em pequenas permissões, em risos coniventes, em palavras mal escolhidas que carregam séculos de desvalorização, demonização e desumanização do Feminino.


Desconstruir-se, nesse contexto, não é um gesto de fraqueza — é um ato de responsabilidade.


É reconhecer que a luta contra a Violência de Gênero não se sustenta apenas em Discursos Inflamados ou indignações pontuais, mas na coerência entre o que se defende e o que se pratica, inclusive no invisível.


Enquanto o Feminino continuar sendo usado como sinônimo de inferioridade, fragilidade ou motivo de ridicularização, o machismo seguirá confortável, até mesmo entre aqueles que juram combatê-lo.


E talvez o verdadeiro avanço comece quando entendermos que não basta lutar contra o agressor — é preciso também desarmar, dentro de nós, as ideias medonhas que o legitimam.