O crepúsculo não apenas caía, ele... DeBrunoParaCarla
O crepúsculo não apenas caía, ele esfarelava sobre a vidraça, um farelo de luz envelhecida. Havia um buliço estranho no alpendre, algo que lembrava o friccionar de asas de mariposa em papel de seda.
Não era tristeza, era fastio. Um deserto intrínseco que fazia a garganta raspar em seco. O relógio, esse metrônomo maldito, insistia em fustigar o silêncio com seu clique metálico. A alma, então, se fez ermitã, buscando guarida num canto qualquer da memória onde o tempo ainda era infante e o medo, apenas uma suposição remota.
DeBrunoParaCarla
