A sociedade construiu um palco. E desde... Evangelista araujo leite
A sociedade construiu um palco.
E desde cedo colocam a gente nele, entregam um roteiro e dizem:
“Agora atua.”
Atua como bom filho.
Como bom marido.
Como profissional de sucesso.
Como alguém que não questiona.
Mas ninguém pergunta se aquele papel combina com a sua essência.
Dizem que eu preciso de uma mulher para ser completo.
Que preciso formar uma família para ser respeitado.
Que preciso de um diploma para ser alguém.
Que preciso mostrar resultados, bens, status.
Mas eu aprendi a desconfiar do que todo mundo aceita fácil demais.
Hoje vejo pessoas dizendo que não postam relacionamento por causa de “inveja”.
Mas postam o treino.
Postam o show.
Postam o carro.
Postam a ostentação.
Curioso… a inveja só atinge o amor?
Na real, muitos não assumem porque não querem fechar portas.
Não querem perder possibilidades.
Não querem abrir mão dos “contatinhos”.
Querem parecer disponíveis enquanto vivem algo pela metade.
Isso não é proteção.
É conveniência.
Eu não quero viver assim.
Não quero relações escondidas como se fossem erro.
Não quero ser opção enquanto alguém mantém vitrine aberta para algo “melhor”.
Não quero competir com possibilidades invisíveis.
Prefiro a verdade nua do que a ilusão bem editada.
O problema nunca foi estar sozinho.
O problema é se trair para não ficar.
Eu escolhi ser meu próprio padrão.
E isso significa não aceitar desrespeito disfarçado de modernidade.
Não aceitar migalhas emocionais.
Não aceitar a lógica de que tudo é substituível.
Ser alguém, para mim, não é seguir o roteiro da maioria.
É ter postura quando ninguém está vendo.
É ter caráter quando seria mais fácil negociar valores.
É sustentar sua identidade mesmo que isso reduza a plateia.
Se for para viver algo, que seja inteiro.
Se for para construir, que seja com clareza.
Se for para ficar, que seja com verdade.
Porque no fim, status passa.
Ostentação cansa.
Aparência envelhece.
Mas caráter…
caráter é o que define quem você é quando o mundo para de olhar.
By Evans Araújo
