Eu sempre penso nisso como quem toma... Alinny de Mello
Eu sempre penso nisso como quem toma café no fim da tarde olhando o mundo acontecer, meio silencioso, meio barulhento, aquele tipo de silêncio que conversa com a gente por dentro. Eu amo a Deus de um jeito que não cabe muito em prédio, em regra rígida, em etiqueta de quem pode ou não pode sentir. Não é rebeldia, é mais como quem percebeu que a fé não mora num endereço fixo, ela mora no peito da gente, respirando junto com a gente. E quando eu digo que Deus vive em mim, não é frase bonita para postar, é quase uma constatação prática da vida, dessas que a gente aprende apanhando um pouco do mundo e ainda assim levantando com uma certa teimosia elegante.
Eu olho para a história de Jesus e encontro ali um tipo de coragem que não depende de plateia. Ele me inspira a continuar existindo quando o caos parece aquele vento que bagunça tudo na mesa, derruba até a xícara de café imaginária que eu estava segurando agora pouco. Porque existir às vezes é isso, um ato meio filosófico e meio cotidiano, tipo escolher respirar fundo e seguir, mesmo quando o roteiro não ficou como eu esperava. E tem dias em que eu percebo que amar viver é quase um protesto silencioso contra a desesperança. Uma forma de dizer para o universo que eu ainda estou aqui, ainda acredito que algo dentro de mim conversa com algo maior.
Não dependo de religião para sentir isso, e ao mesmo tempo respeito quem precisa dela para organizar a fé, porque cada pessoa encontra Deus por um caminho diferente. O meu é mais interno, mais parecido com aquela sensação de descobrir uma janela aberta dentro de mim quando eu achava que só havia parede. Às vezes eu rio sozinha pensando que o divino talvez goste desse jeito espontâneo de amar, meio humano demais, meio imperfeito, cheio de perguntas e ainda assim cheio de gratidão.
E no meio do caos do mundo, das histórias complicadas, das memórias que a vida deixa na gente como marcas de chuva na estrada de terra, eu continuo caminhando com essa certeza tranquila. Deus não está distante de mim, Ele pulsa aqui dentro, e Jesus é como aquela lembrança constante de que a vida vale a tentativa. Eu amo viver porque, no fundo, cada dia é uma conversa nova com o mistério de existir. E eu sigo, com fé, com humor, com aquela coragem discreta de quem aprendeu que acreditar também é um jeito bonito de permanecer.
