É muito estranho parte do povo viver... Alessandro Teodoro

É muito estranho parte do povo viver na — e da — internet ignorando que o ruído seja a maior moeda de troca da espetacularização que retroalimenta os algoritmos.
Como se o excesso de vozes, opiniões e julgamentos não fosse, na verdade, o combustível de uma engrenagem invisível que transforma qualquer acontecimento em palco e qualquer pessoa em personagem.
Nesse ambiente, o silêncio perdeu valor, a pausa virou fraqueza e a reflexão parece um luxo dispensável.
A pressa em reagir substituiu o cuidado em compreender.
E quanto mais barulho se faz, mais visibilidade se conquista — não necessariamente pela relevância, mas pela intensidade.
É um jogo onde vencer significa aparecer, ainda que à custa da verdade, da empatia ou da responsabilidade.
O curioso — e talvez o mais inquietante — é perceber que muitos participam dessa dinâmica acreditando estar fora dela.
Criticam o espetáculo enquanto alimentam seus bastidores.
Compartilham indignações que, no fundo, servem mais ao alcance do que à mudança.
Viver na internet, hoje, exige mais do que presença: exige consciência.
Porque nem todo espaço precisa ser ocupado, nem toda opinião precisa ser dita, nem todo acontecimento precisa ser transformado em vitrine.
Talvez o maior gesto de resistência, nesse cenário, seja aprender a diminuir o volume.
Escolher o que ecoar, o que silenciar e, principalmente, o que merece, de fato, ser sentido antes de ser exposto.
No fim, a pergunta que fica não é sobre o que estamos consumindo — mas sobre o que estamos ajudando a amplificar.
