⁠A Ferida Aberta da Hipocrisia sangra... Alessandro Teodoro

⁠A Ferida Aberta da Hipocrisia sangra aos aplausos à Violência contra homens que seriam crucificados se não fossem as vítimas.


Há algo de profundamente perturbador quando a dor alheia deixa de ser critério e passa a ser conveniência.


A violência, que deveria causar repulsa instintiva, passa a ser tolerada — e até celebrada — dependendo de quem a sofre.


Não é mais sobre justiça, mas sobre preferência.


Não é mais sobre princípios, mas sobre narrativas.


A hipocrisia, nesse cenário, não se esconde: ela se exibe.


Aplaude com uma mão enquanto aponta com a outra.


Condena o ato em um contexto e o glorifica em outro, como se a moral fosse maleável o suficiente para caber nos interesses do momento.


E assim, o que deveria ser uma ferida a ser tratada transforma-se em espetáculo a ser consumido.


O mais inquietante é que esse aplauso não nasce do desconhecimento, mas da escolha deliberada de ignorar.


Sabemos — ou deveríamos saber — que inverter papéis não muda a essência do ato.


Se a violência é inaceitável, ela o é em qualquer direção.


Quer seja contra o Homem ou contra a Mulher.


Que não se confunda: denunciar a hipocrisia na forma como a violência é tratada não é, em hipótese alguma, relativizar sua gravidade — muito menos quando ela recai, historicamente, de forma brutal e recorrente sobre as mulheres.


A crítica aqui não suaviza a violência; ao contrário, exige coerência nua e crua na sua condenação.


Porque aquilo que é inaceitável não pode depender de quem sofre para ser reconhecido como tal.


Mas reconhecer isso exigiria uma coerência que poucos estão dispostos a sustentar.


Preferimos, então, o conforto da seletividade moral.


Julgar com rigor quando nos convém e relativizar quando nos favorece.


E nesse jogo, a vítima deixa de ser humana para se tornar argumento, e o agressor, muitas vezes, apenas um reflexo do aplauso que recebe.


No fim, a hipocrisia não apenas sangra — ela contamina.


E enquanto insistirmos em escolher lados ao invés de princípios, continuaremos assistindo, cúmplices, à normalização daquilo que um dia juramos combater.