Entreguei-me ao Oleiro Celeste, para que... Jeremias Edson Cardoso
Entreguei-me ao Oleiro Celeste,
para que Suas mãos de vento e fogo
remodelassem a argila inquieta do meu destino.
Hoje, tempestades de pó ergueram muralhas no deserto,
cegando o sol que deveria guiar-me.
A dor foi um rio subterrâneo,
cavando cavernas no meu peito:
suas águas frias levaram sementes de desprezo,
e nas margens, apenas silêncios retorcidos brotaram.
Mas agora compreendo:
o que partiu era areia movediça,
e meus planos, castelos que o mar devora ao alvorecer.
Um novo amor virá como estação —
não tempestade, mas chuva que acorda a terra adormecida.
Ele será a ponte de raízes entre meu canto e o jardim divino,
o mapa das estrelas que Deus traçou
antes mesmo do primeiro sopro da criação.
