Não Há Urgência Para Justiça Não... Helaine Machado

Não Há Urgência Para Justiça
Não há urgência para justiça no Rio de Janeiro,
pois o juiz de plantão também precisa descansar.
Enquanto isso, os bandidos não dão trégua.
Só pensam em atirar.
O pobre é alvo.
O rico também.
E o turista que vem visitar o Cristo,
se desviar do caminho,
também encontra tiros.
Não adianta GPS.
Quem dirige, de cabeça quente,
esquece que há lugares
onde não se deve entrar.
Comunidade já não é território democrático:
quem entra sem permissão
encontra a sentença antes da pergunta.
E a ordem é simples:
atirar.
As avenidas vivem congestionadas,
e o motorista tenta um atalho.
Mas, se escolher a rua errada,
um tiro na cabeça
pode ser o destino.
É morador?
É visitante?
Não importa.
Na esquina errada,
é tiro na cara.
É morte certa.
Quem morre?
Quem corre?
Não há como desviar da bala:
acertada ou perdida.
E a justiça…
já sabe que tudo vai acontecer de novo.
Mas pode esperar.
O crime,
esse sim,
nunca espera.
— Helaine Machado