Eu não sou só o que ri. Eu sei que... Sariel Oliveira

Eu não sou só o que ri.

Eu sei que muitos me veem como o cara leve.
O engraçado.
O que transforma o peso em piada
e o silêncio em riso.

E tudo bem.
Esse também sou eu.

Mas existe um erro silencioso quando acham que isso é tudo.

Porque ninguém vê o quanto eu penso.
O quanto eu observo.
O quanto eu seguro coisas que não viro brincadeira.
O quanto eu sei ser sério quando a vida pede seriedade.

Talvez o problema nunca tenha sido eu ser alegre.
Talvez tenha sido eu me esconder atrás disso.

O riso é confortável.
Ele aproxima, desarma, protege.
Mas ele também cria uma imagem fácil de engolir.
E eu não sou fácil.

Quando a situação exige postura, eu tenho.
Quando alguém precisa de cuidado, eu cuido.
Quando é hora de sustentar, eu sustento.
Só que isso quase ninguém vê —
porque quase ninguém fica quando a piada acaba.

Eu não quero deixar de ser leve.
Quero deixar de ser subestimado.

Não por arrogância.
Mas por verdade.

Ser inteiro dá trabalho.
Assusta.
Exige que o outro me veja além da superfície.
E exige que eu permita isso.

Eu não sou contraditório.
Sou profundo.

O riso não nega minha responsabilidade.
Ele convive com ela.

Quem me confunde com superficial
nunca teve coragem de ficar quando eu fiquei em silêncio.

E tudo bem.
Nem todo mundo precisa me entender.
Mas quem quiser caminhar comigo
vai ter que aceitar que eu sou mais do que pareço.

Eu sou leve —
mas não sou vazio.