Entre Nós e o Tempo O tempo passou… e... Sirlandra Barbosa

Entre Nós e o Tempo

O tempo passou…
e não passou leve.
Passou pesado,
arrastando aos poucos
tudo aquilo que um dia fomos.

Trouxe a distância —
não só dos corpos,
mas das almas.
A tristeza de deitar ao lado
e ainda assim sentir falta.
A dor de estender a mão
e tocar apenas o vazio.

Trouxe diferenças
que cresceram como muros silenciosos.
Palavras que já não encontram abrigo,
sentimentos que falam sozinhos.

E a indiferença…
ah, a indiferença é a mais cruel.
Ela não grita,
não quebra nada —
ela apaga.
Apaga o brilho do olhar,
apaga o cuidado,
apaga o “eu te vejo”.

A falta de afago machuca.
Machuca porque o corpo lembra
do carinho que existia.
Machuca porque o coração
ainda espera o abraço
que já não vem.

O que era riso virou silêncio.
O que era conversa virou obrigação.
O que era amor virou hábito.

Já não somos encontro de almas —
somos rotina compartilhada.
Somos dois caminhos
que insistem em andar lado a lado
mesmo sabendo
que já não se cruzam por dentro.

E existe uma tristeza funda,
daquelas que não fazem barulho,
mas pesam no peito.

A tristeza de saber
que ainda estamos aqui…
mas já não estamos um no outro.

E dói.
Dói porque foi verdadeiro.
Dói porque um dia foi amor —
e hoje é apenas permanência.