Quando te conheci, eu disse que nada era... Carol Oliveira

Quando te conheci,
eu disse que nada era por acaso.
Que as quedas me ensinavam o voo,
que os fins eram portas disfarçadas,
e que talvez Deus estivesse me treinando
para suportar o mundo ou para encontrar você.


​Você, tão certo da sua dor antiga,
me disse que cada amor que termina
leva um pedaço da pureza embora.
Que nunca mais se ama
como no primeiro amor.


​Mas olha nós dois aqui.


​Se a pureza tivesse morrido,
não estaríamos reaprendendo
a rir de mãos dadas.
Se o amor tivesse ficado menor,
não caberia tanto cuidado
nos seus abraços.


​Talvez o primeiro amor
seja inocente.
Mas o nosso é consciente.


​Ele conhece o medo,
mas escolhe ficar.
Reconhece a dor,
mas prefere construir.


​O primeiro amor é primavera.
O nosso é raiz:
não nasce por impulso,
cresce por escolha.


​Se perdemos alguma pureza,
ganhamos profundidade.
Se a vida nos quebrou,
foi apenas para nos lapidar.


​E hoje eu entendo:
não amamos menos depois das quedas,
amamos com mais verdade.


​Porque o destino pode até não explicar tudo,
mas ele certamente sorriu
quando dois corações que já sabiam do fim
decidiram acreditar de novo.