⁠O Brasil que me dói é o Brasil que... Alessandro Teodoro

⁠O Brasil que me dói é o Brasil que padece da Metástase Cultural da Corrupção Estrutural. O que me dói não é apenas o dos escândalos que estampam manchetes, nem... Frase de Alessandro Teodoro.

⁠O Brasil que me dói
é o Brasil que padece
da Metástase Cultural da Corrupção Estrutural.


O que me dói não é apenas o dos escândalos que estampam manchetes, nem o das cifras desviadas que nos indignam por alguns dias.


O Brasil que me dói é aquele em que a corrupção deixou de ser episódio e virou ambiente — deixou de ser exceção e passou a ser método.


É um Brasil que já não se escandaliza com os erros — justifica-os — e até estranha a honestidade.


Onde o “jeitinho” é celebrado como inteligência e a integridade é tratada como ingenuidade.


A metástase cultural da corrupção estrutural não começa nos palácios; ela se espalha quando pequenas concessões morais se tornam hábitos sociais.


Quando furar a fila, fraudar um atestado, comprar produtos de procedência duvidosa ou sonegar um imposto parecem pecados menores diante de outros pecados…


Essa metástase é muito silenciosa.


Não dói de imediato.


Vai corroendo a confiança — essa argamassa invisível que sustenta qualquer nação.


E quando a confiança apodrece, tudo começa a desmoronar: instituições, relações e sonhos coletivos.


O cidadão já não acredita no Estado, o eleitor já não acredita no voto, o jovem já não acredita no mérito.


Mas talvez a dor seja também um sinal vital.


Algo de bom no meio do caos.


Só dói o que ainda tem um pouco de vida.


E se o Brasil nos dói, é porque ainda nos importamos.


É porque ainda enxergamos a possibilidade de um país onde o certo não seja heroísmo, mas normalidade; onde caráter não seja exceção, mas cultura.


A cura de uma Metástase Cultural não começa apenas nas urnas ou nos tribunais — começa no espelho.


Começa quando decidimos que não aceitaremos, em pequena escala, aquilo que condenamos em grande escala.


Porque a corrupção estrutural se alimenta de microcorrupções diárias; e a transformação estrutural também nasce de microatos de integridade.


O Brasil que me dói é o mesmo Brasil que ainda pode florescer.


E talvez a verdadeira revolução não seja a que grita nas ruas, mas a que ainda sussurra na consciência de cada um de nós: ou mudamos a cultura, ou a cultura continuará nos mudando.