Ainda que todos os políticos fossem... Alessandro Teodoro

Ainda que todos os políticos fossem Corruptos, seria menos grave que se todos os corruptos fossem Políticos.
Em ano de Eleições — especialmente as gerais — no Brasil, sempre arrastamos a Corrupção para o centro do palco.
Mas quase sempre nos esquecemos, por descuido ou capricho, que o combate à Corrupção começa com o nosso bom comportamento.
Ela é sempre arrastada para o centro do palco como a grande vilã nacional, apontada em debates, estampada em manchetes, tomada como inimiga número um por quase todos.
Mas, terminado o espetáculo, o que fazemos com o espelho?
É curioso como denunciamos com veemência os desvios bilionários, enquanto tratamos como irrelevantes os pequenos atalhos do cotidiano: a vantagem indevida, o “jeitinho” conveniente e o silêncio cúmplice diante do erro que nos favorece.
Condenamos o político corrupto, mas normalizamos a infração que nos beneficia.
Exigimos ética em Brasília, mas relativizamos a nossa nas esquinas.
Talvez porque seja mais confortável enxergar a Corrupção como um monstro muito distante, habitante exclusivo dos palácios, e não como uma “cultura” que se infiltra nas escolhas diárias.
É mais fácil votar contra ela do que viver contra ela.
O combate à Corrupção não começa nas urnas — começa no caráter.
Não nasce nos discursos inflamados — nasce nos hábitos.
Ele se fortalece quando o cidadão decide que sua integridade não depende de quem governa, mas de quem ele é.
Se quisermos, de fato, mudar o enredo político, precisamos antes revisar o roteiro pessoal.
Porque um povo que naturaliza pequenas desonestidades, e ainda as batiza, dificilmente sustentará grandes virtudes.
No fim, talvez a pergunta mais honesta, urgente e necessária em ano eleitoral não seja apenas “quem é o menos corrupto?”, mas “o quanto estou disposto a não ser?”.
